Des-coberta

15:44:00

Em meio a livros de história do mundo que contam os detalhes das antigas civilizações, de guerras inúteis, de gente pequena e mesquinha, me vejo agora.
Tentando parecer preparada para uma prova que tem como tarefa medir o quão de conhecimento eu pude adquirir durante meus 14 anos de vida estudantil.
Quando na verdade eu preferiria a vida dos nativos, de um índio das terras desconhecidas antes de ser des-coberto*, porque na verdade eles não foram descobertos, foram vestidos, isso sim.
Eles viviam despidos diante da magnitude das florestas, confiavam nos seus deuses e não usavam o facão contra o branco ( eles não tinham facões,nem conheciam o branco).
Trocaram dignidade por espelhos, cobriram o corpo do índio com chita, lhe enfiaram na cabeça o Pai-Nosso e o pecado,
e eu, hoje, séculos mais tarde os estudo como selvagens.
E me pergunto se seria melhor estudar história para conseguir um emprego de professora ou viver em alguma tribo do Novo mundo sem precisar ter a minha inocência atacada pela ambição dos homens vestidos.
Se aqueles da pele cor-de-neve imaginássem que as armas deixadas com os índios seriam usadas contra eles diante do mundo, talvez a rota das caravelas fossem diferentes.
O pior de todas as coisas que somos obrigados a ver é o quanto somos civilizados para viver em uma sociedade selvagem e doente.
Gostaria de não ter livros, de viver des-coberta e de poder olhar ao meu redor sem ter medo de uma bala perdida.
Com toda sinceridade, queria ser índia.

Que não precise de punição, nem terras doadas pelo governo, de cotas e de facão para me defender.
Ser livre, bastaria. Uma selvagem livre.


Pareço alguma substância heterogênea no planeta ao qual pertenço.
Como não há modo real de voltar ao passado,
estudo ele.
Para talvez entender questões que me atormentam, para desvendar lendas e desmistificar heróis.
Essa é a minha missão na história.


Volto ao livro.
(que por sinal é muito bom,
"História- das Cavernas ao Terceiro Milênio, editora Moderna)





ao som de Legião,
talvez venha daí tamanha inspiração.
Salve Renato!

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