Ah...se não fossem os cadernos

07:52:00




Era um quarto pequeno, construído em uma parte da casa que já tinha sido uma varanda, tinha uma janela baixa onde dava para sentar sem medo e uma vista para uma mangueira bem grande e vistosa. Todas as tardes pegava o meu aparelho de som, sintonizava em uma rádio da cidade vizinha que tocava os sucessos das novelas, colocava uma fita cassete para gravar minhas músicas favoritas e um caderno. No caderno, eu escrevia as letras das canções que eu não queria esquecer, era o meu de jeito de eternizar. Naquele caderno de folhas timbradas anotava que desejava ter os cabelos mais longos e uma bota branca, deixava anotado também que o meu maior desejo era ser artista e que o meu maior medo era ficar em uma recuperação na escola. Todos os dias, era o meu ritual. No fim de tarde, eu sentava na janela e esperava o avião que cruzava o céu às cinco horas da tarde. Olhava, me emocionava em imaginar que um dia poderia estar ali, indo para algum lugar e olharia para baixo para enxergar minha pequena cidade, minha casa, minha janela...



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