sábado, 21 de maio de 2011

Ao meu tio Álvaro, com carinho.

O violão foi o nosso fio condutor para a amizade, já que o primeiro contato não foi tão agradável, afinal, ele levaria de mim minha melhor amiga, a minha tia. Mas o convívio permitiu a aproximação. No meu sonho de criança eu imaginava quem seria a ponte para eu ser artista, e ele tocava e cantava músicas de Leandro e Leonardo, tinha fotos do Rio de Janeiro e conhecia os livros dos maiores autores da literatura. Poderia ser o caminho?  Eu não sabia. O que sei hoje, quase quinze anos do nosso primeiro encontro é que eu conheci umas das pessoas mais incríveis da minha vida.

Filho de uma chinesa trazida por brasileiros e por um homem que acreditava que a educação era a prioridade na vida de um ser humano, se formou em medicina, mas queria ter sido também engenheiro civil e também poderia ter sido um dos melhores professores de história do mundo. Ele nunca fora do tipo de se gabar para ser maior do que era e nem precisava, ele já era o maior.  Junto com minha tia realizou muitos dos meus sonhos. Talvez sem perceber, participou ativamente da minha formação como ser humano que sou. Humana, preocupada não só com o crescimento intelectual, mas com os dons de ser artista.  Eu gosto de ouvir suas opiniões sobre a economia brasileira, gosto de ouvir falar sobre sua vida no interior baiano, gosto de te ouvir tocar violão.

Eu conheci esse homem quando ele já tinha os cabelos grisalhos, com costumes peculiares e até estranhos, afinal, não é todo mundo que conheço que come feijoada às 5 horas da manhã. Uma pessoa admirável. Hoje, escolhi escrever sobre ele. Escrever sobre a importância de ouvir “Então é Natal na voz de Simone que ele faz questão de colocar todos os dias de dezembro, um detalhe que parece besteira, mas que criou em mim um vínculo com essa data, um vínculo com a minha família.

Esse homem que conheci tinha uma família também admirável, filhos incríveis e o que eu posso fazer a não ser agradecer?! Agradeço, ao meu tio por existir. Por ser tudo que eu quero ser, por conhecer os lugares que eu quero conhecer, por ter lido os livros que eu quero ler, por cuidar da minha tia que é rara e por ser raro também.  Obrigada pelo walkman, pela fita que vinha dentro, pelas revistas que guarda para mim, pelo conhecimento compartilhado e por me permitir conviver com sua paz. Tantas foram às vezes que pensei em desistir do que eu queria.  Lembrei dos seus passos, lembrei da minha admiração e novamente, mais uma vez, eu sigo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

"Seria ruído se não fosse um sinal"

A história que vou lhes contar é mística, humana e eterna. Coisas da alma, palavras que precisam ser cobertas pelo manto da poesia. Que as guardarão até quando for necessário.

“Era um velho ranzinza, chato e distante. Caminhava por entre os obstáculos que eu mais invejava. Eu invejava o velho.
Tinha o corpo de quem não se preocupa com o que é refletido, o que importava para ele era a reflexão, e essa, não é palpável.
Era um velho ranzinza, mantinha ideais hoje desnecessários no mundo cão, mas ele era chato, gostava de retrucar. Eu invejava o velho.
Ele mudou, se mudou, me mudou e tudo mudou. O velho agora era jovem. E eu era velha, razinza, chata e paradoxalmente distante.
Talvez ninguém perceba que eu to longe, infinitamente amedrontada e distante. São milhas de medo. A verdade é que eu invejava o velho.
Era pra ser apenas mais um, mas não era. Infelizmente.
Ou felizmente?!
 Paradoxalmente. Infinitamente.
Eu admirava o velho.
De todo o coração, para toda a vida.”

Basta nada

Viver é um momento. Contemplar.  Viver é um sopro. Lembro-me do primeiro contato com o morrer. Eu tinha cerca de cinco anos. De mãos...