quinta-feira, 28 de julho de 2011

Personagens do Bus - A poker face da maluquete

quase assim.

Figuras. Uma figura pode ser inúmeras coisas, mas dentro de um ônibus, figura é uma pessoa caricata. Sabe aquelas pessoas que parecessem ter saído de alguma história? Elas me motivam. E certo dia, para não dizer sempre, em um ônibus do horário do meio-dia eis que encontro uma personagem. Cabelo curto, descolorido na parte inferior, óculos de aros grossos no maior estilo “vovó Cult”, roupas coloridas e aquele tênis todas as estrelas, vulgo ‘all star’. E o principal detalhe: fones de ouvido.


Este pequeno acessório transforma uma jovem estudante em uma personagem incrível. Eu a apelidei carinhosamente de ‘Maluquete do Busu’ e vou explicar a vocês o porquê. Totalmente alheia aos que estão ao redor, a garotinha logo ao entrar no ônibus se posiciona em um local confortável, prefere não sentar, aliás, quem consegue sentar nesse horário e nesse busu, é felizardo. E começa a mexer-se,  aos poucos vai revelando seu incrível talento. Transforma o ônibus em um palco, o resto dos passageiros em platéia e faz seu show. Passos de dança ‘ a lá Michel Jackson', faz mais caras e bocas que a Poker Face da Lady Gaga e rebola quase que segurando o tchan!

Tá perdendo Gaga!
Eu, no alto da minha timidez, invejo maluquete. Nunca em toda a história deste país pude ver criatura mais corajosa e porque não, talentosa, em um show ao vivo, totalmente free. É uma quebradeira louca. E eu? O que faço para segurar o riso? Olho pro lado, prendo os dentes...mas não adianta! Ela chama atenção dos seus fãs até chegar ao seu destino. Quando desce. Volta para o anonimato. Mais tarde, tem mais. A turnê é diária, e o melhor, 0800.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Manias- Parte I - Tô ligando para pedir uma música

O silêncio na maioria das vezes é desconfortante. Na sala da espera aguardando seu nome ser chamado para fazer o temido ‘canal dentário’, seria ótimo receber uma palavra amiga, mas o silêncio endurece a sala. Na hora da prova, qualquer ruído incomoda. No primeiro encontro dar o primeiro passo é quase dolorido. No fim de uma reunião, o silêncio reina. E quando você pega um táxi? Trato logo de soltar “Será que chove?” para não ouvir o barulho terrível que o nada dizer faz. Eu, particularmente, gosto do silêncio em alguns minutos do dia, é até legal ouvir os próprios pensamentos. Mas, quando aquele apito começa a fazer barulho no ouvido, se não tiver ninguém pra conversar, falo com o peixe, com o espelho, devaneio qualquer besteira, só para não sentir o frio que o silêncio faz. Por esse motivo, tenho uma gama de temas para quebrar o gelo seja com quem for. Para o cobrador do ônibus pergunto sobre a rota, a atendente do dentista comento sobre algum show, na hora da prova pergunto que horas posso entregar e quando não tem ninguém mesmo, ligo o rádio e começo a conversar com o radialista. São manias de doido para evitar a loucura.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Paz no Busão. Diga não ao cotovelo.

No seu significado comum, a palavra Guerra, é um confronto sujeito a interesses da disputa entre dois ou mais grupos distintos de indivíduos mais ou menos organizados, utilizando-se de armas para tentar derrotar o adversário. Sim, guerras acontecem no transcorrer normal da história da humanidade seja por motivos religiosos, disputas territoriais e etc. A verdade é que vez ou outra as guerras aparecem para lembrar que o ser humano é uma criatura altamente competitiva e caso precise, entra em conflito por um motivo qualquer.

Normalmente, quem vive em grandes cidades e precisar utilizar o transporte público, entram em uma disputa diariamente. Uma guerra silenciosa que pode garantir inimigos mortais até a próxima parada. É o caso da busca incansável por uma cadeira no ônibus. O busão sai da sua garagem ainda na madruga e começa a percorrer cada cantinho da cidade. Em cada ponto pega um pequeno competidor, mas como ainda está vazio, os combatentes não mostram suas armas. Mas calma querido leitor, a hora fatídica vai chegar.


7h
7h. Principal terminal da cidade. As pessoas se aglomeram como formigas quando encontram um bolo. O ônibus pára, a guerra inicia lentamente, quando ainda mascarados os guerrilheiros se empurram disfarçadamente. As portas se abrem. Foi declarada a guerra. A principal arma totalmente visível: os cotovelos. Com firmeza e precisão, os combatentes posicionam o cotovelo no seu oponente. E tcham! Dependendo da força e da intenção o empurrado pode revidar ou colocar-se fora do caminho. Os olhares, se tivessem raio laser fariam enormes estragos. E enfim, o ônibus sai. Lotado. Gente pela janela. Se odiando eternamente. 
Seria lindo se fosse assim.

Uma eternidade que dura até chegar ao centro da cidade, onde a maioria desce. As cadeiras são ocupadas pelos poucos passageiros. A bandeira banca fora hasteada.  A guerra deu trégua. 


Mas tem horário marcado para volta: 18h, a hora de voltar para casa. Apoie a campanha : Paz no Busão!

sábado, 23 de julho de 2011

Não é um texto qualquer

Se for para fazer qualquer coisa não coloque meu nome, não me peça favor e nem lembre de mim.   Sou a favor do novo, da melhora, da mudança, do que não foi feito, do  que vem a mais. Não apenas uma cobertura do normal, mas o comum visto de outro ângulo para desse modo torná-lo algo no mínimo diferente. Se for para jogar qualquer jogo, na maior humildade, tiro o meu time de campo. Nem tudo que é lindo é divino.
É tão fácil argumentar, apoiar, elogiar, mas chegar no lá...é outra coisa, são outros quinhentos. A caminhada entre comum e o novo é longa e requer preparação.  Minha dor é a ilusão da maioria pensar que é fácil, que algumas passadas e já chegou. Não, não é assim.  

Chegar onde não tem pegadas é dolorido, deixa marcas, mas o caminho mais longo mesmo que doído é melhor. Não me chame para andar por atalhos, nem para andar escondendo minha face, eu vou chegar onde for com minhas olheiras mesmo que, além disso, precise ter os pés calejados.

A glória não se faz em vão. Não quero nada que eu não tenha feito por bem merecer.


“Da paixão ao tédio quantos dias caberão
Ele tem que trabalhar, você tem que ver a situação.”

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Eu era pequenina.

Morava em uma cidade minúscula, onde todo mundo conhecia todo mundo. Onde era a filha de fulano, casado com ciclana, o pai era taxista, a mãe professora e tudo era pequeno, normal e banal.
Até que meu corpo foi crescendo e junto com ele, os sonhos que viviam dentro dele. Os sonhos ficaram tão grandes que não cabiam mais naquela pequena cidade. E era hora de partir. A pequenina garota nem mala tinha, levou tudo dentro de uma caixa de papelão. Era um misto de felicidade e desespero.
Felicidade porque sabia que era sua hora e desespero porque não tinha certeza se realmente era sua hora.

O tempo levou. O caminho estou no meio. E um detalhe: ainda sou pequenina.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Novidade no ar!

Gente, não abandonei esse blog, mas fiz um que está sendo muito especial para mim, peço que visitem e me dê essa felicidade!




xero

Basta nada

Viver é um momento. Contemplar.  Viver é um sopro. Lembro-me do primeiro contato com o morrer. Eu tinha cerca de cinco anos. De mãos...