sábado, 17 de abril de 2010

em um texto milhares de histórias.



Não escrevo para mim. Nem para as pessoas próximas. Escrevo para quem não conheço ou vejo pouco. Escrevo para você, que por curiosidade ou acaso, se vê lendo palavras desta aqui que vos fala. Não escrevo pra passar o tempo ou desabafar ( apesar de falar que seja), escrevo por paixão. 
Satisfação? Não sinto maior do que quando alguém diz que me lê, ou melhor que se identificou com o que encontra aqui. No princípio esse blog foi feito para conseguir uma vaga no Tudo de Blog da Capricho, unicamente isso, depois de um ano de posts, eu consegui a tal vaga. Mas depois de um tempo, vi que não era só isso. Era sentimento, eram histórias, pessoas, um movimento de coisas que postei .
Pessoas? Sim, o tempo todo. Na maioria das vezes ocultas, nos quase trezentos textos que deixei aqui. Frases repetidas, clichês, textos piegas, soltos na imensidão das palavras, muitas vezes sem sentido algum. Textos feitos em papel, durante alguma aula. Cartas para Deus, para vida, um recado, um aviso. Sobre a presença de alguém, sobre a falta.
O tempo. O assunto preferido. Inerente a ele, a morte, os instantes, a hora, os 'flashes'. Gosto de sentir o gosto das palavras, pronunciá-las antes de escrevê-las.
Esse texto é uma tentativa de agradecimento a você, pelos minutos dedicados a ler quem você não conhece ou não conhece tanto. Obrigada por ter deixado seus olhos caminharem por algumas das minhas frases. Que quando deixo aqui, torno-as públicas e soltas no mundo. Que criem asas, que se deixem levar e que me levem, e algum dia, me tragam de volta.

Marília Macedo


domingo, 11 de abril de 2010

um ponto no meio de um texto.



Há sentimentos que aprisionam



De repente eu escuto um eco, a minha voz sobre o silêncio. Ou o silêncio que cala a minha voz. Não sabia distinguir. Era muito confuso, muito recente. Andei devagar pelo corredor vazio, cheio do nada que estava me sufocando. Peguei alguns papéis soltos pelo chão, com frases rabiscadas, da noite anterior. Juntei todos em um só monte e enfiei em uma lata de lixo. Necessário? Não. Mesmo que o desejo maior seja esse, não existia a possibilidade de jogar toda a minha vida fora ou tudo que eu sentia. Nossa...quanto sentimentalismo. Ou melhor, drama. Eu percebia que eu era dramática, mas não tinha tido até hoje uma visibilidade total do problema. Hoje mesmo, eu estava decidida a escrever um texto mais objetivo e com razões realistas, mas não, sou subjetiva. Uso metáforas. Palavras perdidas. Quanta besteira! Não sei ser me desprender do poder sobre as palavras humanizadas,e de tanto sentimento deixam de ser abstratas e passam a ser reais.
Quis ser assim e abracei como verdade. Poderia dizer tantas outras coisas, mas não sei mais. O que posso adiantar, é que...

há sentimentos que nos libertam.

*eu procuro por eles.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

valência

Sinto vontade de aproveitar as pessoas, de senti-las, de saboreá-las. De deixar as palavras proferidas percorrerem o meu corpo. Gosto de observá-las, de olhar os seus trejeitos e de lembrá-las para quando elas não tiverem mais sob os meus olhos. Gosto de imaginá-las como flores, que uns dias me dão o prazer de sentir seu cheiro e de vê todas as pétalas abertas e vivas. E em outros, vê-las fechadas, silenciosas e assim lembrar de momentos de outrora. Eu aproveito, sim. E reaproveito.
Pego manias, aceito ideias e questiono mãos. Mãos que não se movem para o toque.
Tocar. Imagino a falta de toque e não gosto. Tudo é mais proveitoso quando se detém em um abraço anos de distância.
E de que vale toda uma vida, todo o sucesso e as reverências e de todo o ouro se você deixou de ter na pele as lembranças de alguém?
E quando sem dá importância você percebe que a pessoa mais importante da tua existência foi silenciada por falta de palavras.
Sua verdade, deixa de ser verdade.
E o verdadeiro sentido de ter vida passa a ser rotineiro dia.
Triste de quem não se deixa levar e não permite o desejo de querer. Ou.
Querer o desejo.




'Só de imaginar uma vida sem amor, eu vejo a morte'

Basta nada

Viver é um momento. Contemplar.  Viver é um sopro. Lembro-me do primeiro contato com o morrer. Eu tinha cerca de cinco anos. De mãos...