domingo, 27 de dezembro de 2009

fim,começo e meio.



2010. Para o calendário gregoriano faltam 4 dias para o ínicio do novo ano. E isso é bom, já que de maneira inexplicável ganhamos uma nova vontade de se manter na vida diante desta chance de 'recomeçar'.
Começar um novo ano é quase como um renascimento consciente de cada ser, é como enxergar toda a sua vida como um filme e tentar recuperar algumas partes do roteiro que não tenha ficado como deveria ser. Talvez seja verdadeiramente uma nova chance, ou pelo menos permite que possamos ver com clareza o que fizemos durante os 365 dias que se passaram. E como diria o poeta Mario Quintana: " Bendito seja aquele que inventou o truque do calendário." 
Não sei se esse 10 no algarismo de 2010 causam em vocês o mesmo que causa em mim. Uma estranha certeza de que será diferente, afinal são 10 anos de ano 2000, e sempre que se completa 10 anos de alguma coisa, uma grande festa acontece.
Festejamos,então.
E como sempre acontece as pessoas se felicitam e desejam umas as outras felicidade no ano que chega, saúde, paz e amor, a essência de um bom ano. 
Na verdade, não queria escrever sobre este tema, porque sempre há de parecer que é a mesma coisa, todos os anos.
Mas para vocês terem a certeza da mudança, veja que até a música da vinheta tradicional da Rede Globo se modificou, ganhou uma nova melodia.
E o que eu desejo a todos, é uma nova melodia, um novo sentimento, novo... que seja verdadeiramente um ano novo.

Feliz 2010 ! Tim tim. :)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

de repente já é Natal



Sempre quis falar do Natal, mas não de uma forma clichê ou só falando em como tem existe  uma  magia e coisa e tal. Sou uma pessoa suspeita para falar dessa data, por conta de ter nascido na véspera. Mas, vamos lá. No Natal acontece um sentimento estranho, de reflexão, uma certa nostalgia, talvez seja por conta da proximidade do fim de ano. E no fim de ano como uma maneira quase que inexplicável a maioria de nós, paramos para refletir sobre a vida e em tudo que fizemos durante o ano que passou. Nunca entendi o porque disso, porque a passagem de ano, nada mais é que um dia comum, mas não iremos questionar velhos costumes aqui e sim falar do sentimento natalino.
No Natal, trocam-se presentes, cartões, telefonemas, declarações, amigo-oculto, ceia e milhares de coisas mais que com o passar dos anos foram se acrescentando aos costumes de fim-de-ano. Mas na minha ideia infantil o Natal era o bingo que a minha família vazia e só participavam os adultos e que eu sonhava com o dia em que eu iria participar também, os prêmios eram brincandeiras.E eu dormia feliz em ver todos se divertindo. O natal para mim era a curiosidade de saber os nomes dos pacotes que ficavam embaixo da árvore da minha tia Mônica.
E hoje, depois de terem se passado tantos anos, eu enxergo o que o Natal significa para mim, e talvez para todos, Natal é família. Com aquelas diferenças de sempre, dos gritos de quem vai mexer a farofa, e daquele tipo " poxa, mãe...meia de presente?". Mas na verdade mesmo, Natal é puro sentimento. O grande sentimento de humanidade, de estar mais próximo do teu próximo.
A magia ?! Sim, ela existe. Eu não pretendo explicar ,porque eu não chegaria nem perto do que a grandeza do Natal pede.
Como toca naquela canção: ' Então é Natal, e o que você fez ? '




*Na minha última lida antes de postar percebo que mais uma vez não disse o que eu queria, ano que vem eu tenho outra vez.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Limite das listras e da morte



- "Você é meu meu melhor amigo,Shmuel." disse ele. " Meu melhor amigo para a vida toda." Essa foram as últimas palavras de Bruno no bonito livro " O menino do pijama listrado".
A história poderia ser cansativa por se tratar de um enredo já explorado tantas outras vezes, a amizade. E em uma época turbulenta, a guerra dos nazistas contra os judeus.
Um amizade imprópria já que Bruno era filho de um dos comandantes do exercito nazista e Shmuel um garoto judeu que vivia em um dos campos de concentração. 
O livro se desenrola em cima da mania de explorar os lugares que Bruno tinha, e já morando em uma casa perto de um desses campos junto com toda a sua família, chegou até uma cerca. Limite entre alemães e judeus, e lá encontrou Shmuel. E por todas as tardes durante um ano vai de encontro a seu novo amigo, levando comida e desvendando os mistérios que há depois da cerca.
Na última semana de Bruno morando nesta casa, ele decidiu ultrapassar os limites que o separavam do seu amigo, e eles se tocaram pela primeira vez, mas apesar da vontade, nenhum deles conseguiu abraçar um a outro.
No dia em que decidiram ir juntos ao campo de concentração, Shmuel trouxe uma roupa característica a que os judeus usavam nesta prisão, um pijama listrado. E juntos vão até lá. Bruno não encontrou o que imaginava, e sim, dor e sofrimento nos olhos de todas aquelas pessoas.
No instante em que decidiu ir embora, por estar ficando tarde, eles foram arrastados pela multidão de judeus que estavam sendo levados para um lugar escuro que Bruno não conseguiu descobrir onde era. Ele segurou a mão de Shmuel forte e de uma coisa ele sabia, não largaria por nada no mundo.
Apesar do final trágico, nada pode tirar o brilho da poesia que o livro traz por todas as páginas, que de uma maneira fantasiosa, relata uma bela história de amizade que demonstra com a morte como devemos sentir a verdade de ter um amigo.


sábado, 12 de dezembro de 2009

Geni, Chico e Budapeste.

      Chico escrevia como José Costa, ou José Costa escrevia pelo Chico ?! O livro Budapeste se desenrola em cima da farsa de saber quem escreve por quem, o que seria verdade e o que não.
       Um romance deliciosamente narrado pelo grande compositor Chico Buarque, que de forma clara e ágil conduz o leitor como um cavalheiro conduz uma dama pelo salão de dança. 
Nos levando a imergir na misteriosa cidade de Budapeste e nos teus romances cheios de incerteza. 
       Incerteza. Talvez seja essa a palavra que mais se aproxime do romance Budapeste, já que rumamos a nenhum lugar, como quem caí em meio ao reflexo de muitos espelhos.
O grande questionamento que encontrei neste livro foi de quem nós lemos de verdade, a história em si ou o autor, e qual o limite que separa eles. Qual a fina linha que distingue o leitor, do autor, da história, do livro. E o real é que acabei me perdendo entre a história, a opinião, o autor e os tais limites.
      Já que um livro com capa parda e com um  nome branco, em negrito, bem visível com o nome Chico Buarque, pode vender muito mais do que um que tivesse José Costa,  desconhecido e comum brasileiro, com o mesmo enredo.
Não nego que iniciei o livro por conta do nome do autor,e já pelo meio do mesmo deparei-me com versos que pareciam ser das canções do seu autor, mas já chegando no fim quase esqueci quem o tinha escrito. Mas o último capítulo se deixou entregar a poesia, como a Geni se entrega ao forasteiro.


     Budapeste gera um verdadeiro caleidoscópio de opiniões. E a minha reles opinião mortal é de que o livro parece uma canção de Chico Buarque com o diferencial de ter 174 páginas e capa de cor parda. 

quando dezembro acabar

Perdi chances que poderiam ter sido grandes oportunidades,
E de repente vejo as coisas de uma maneira que não é tão real,
Vejo imagens do que poderia ter sido e não é.


Passado. Transposição de tempo.
Indefinível fração do que se foi e não volta mais.


Futuro.O que estar por vir.
Destino. Sorte que virá?!
Transporto situações.


Tempo repartido. Fracionado. 
Lacônico. Palavras de Pessoa, de Machado.
Minhas, suas, de ninguém.
Um espetáculo cancelado.
Uma mãe na sala de parto.


T-E-M-P-O, quando dito lentamente.
Consome mais segundos.
Consome-se por si só.
Nos consome.


Presente. Grande dádiva da vida.
O agora, o momento, o instante.
A chance oportuna.
A ameaça. O iminente.


Viver talvez seja só isso.
Extensas e infindas passagens,
Do que foi, do que é, do que vai ser.


Que a felicidade seja intensa,
gotas da pura essência.
Do amor pelo dom..
o dom de viver.


Marília Leal Macedo, 18 anos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

reminiscências de fim de ano.


O meu ano está acabando, como o de todo mundo que vive de acordo com o calendário gregoriano. E a minha mania de nostalgia, vasculha a memória para escrever sobre algumas das muitas experiências que tive neste ano.
2009 começou em uma festa de reveillon em uma cidade do interior, com o vestido verde eu pedi com todas as minhas forças uma grande mudança na minha vida. Sinceramente não esperava que acontecessem tantas.
Passei as ferias de janeiro em uma casa perto de uma praia em uma rodovia, ambiente perfeito para o tédio, mas tive um personagem especial. E não foi tão tedioso como poderia ter sido.
Quando voltei para minha casa, já que eu estava em ferias prolongadas, por não ter passado no vestibular de historia, abri a caixa de emails, e ali estava a primeira surpresa do ano.
Eu tinha sido escolhida para participar do 'Tudo de Blog' da revista Capricho, não saberia explicar o tamanho da minha felicidade nesse momento.
Bom, eu nunca tive dinheiro, sempre fui ' money que e good, nós não have'. Mas mesmo assim com um grande esforço do mundo, fui para Aracaju fazer cursinho. Conheci gente bacana, chorava todas as noites com saudade da minha casa, pegava ônibus morrendo de medo e escrevia todos os dias na minha agenda sobre os sonhos que eu queria realizar.
Suportei dois meses. Voltei para minha pequena cidade com a intenção de cursar historia em uma faculdade a distancia, casar com o padeiro, ter 3 filhos e criar algumas galinhas.  Comecei a trabalhar na escola onde estudei, como bibliotecária. Organizei e cataloguei todos os livros, fui eu quem inaugurei a biblioteca. Eu tinha um grande ciúme dos livros que eu limpava todos os dias. Li muito, 20 livros em um mês, tirando os infantis. Decidi escrever um livro infantil: " Ana Maria quer ser um garoto". Durante os intervalos conversava com minhas amigas que ainda estudam lá, e conheci um dos caras que mais me feriram na minha conturbada vida amorosa. Nesse meio tempo durante aquelas noites de choro onde se mede o tamanho do sonhos, escrevi em um papel " Não desistirei de nenhum deles."
E assim foi. Dois meses de intensa vida cibernética e em uma dessas artes eu decidi a minha vida. Consegui uma vaga em uma universidade na capital, na hora fiquei em duvida entre jornalismo e historia, mas o sangue de artista falou mais alto, escolhi jornalismo. O diploma caiu, e eu permaneci.
Arrumei as malas de novo, e dessa vez fui com a certeza que não voltaria. Chorei um pouco, não escrevi mais na agenda. Conheci pessoas legais, escrevi textos, melhorei meu vocabulário. Aprendi a cozinhar, comecei a namorar, percebi que tinha dezoito anos e isso era muito bom.
Tive a minha maior decepção amorosa, xinguei muito, senti vontade de enlouquecer, mas não escrevi nada sobre ele, um sacana desses não merece. 
Nas noites de quinta-feira na aula de filosofia aprendi a questionar as coisas antes imutáveis. Durante os fins de semana aprendi a fazer faxina, a colocar e tirar roupa no varal. 
Em um mês choveu na minha horta como diria minha tia, e também fui assaltada.
Levaram minha bolsa, meu celular, meu dinheiro e um pouco da minha coragem. Chorei e me senti como o Caetano quando escreveu o verso ' sem lenço, sem documento'.Depois que assisti o especial do Cazuza na tv,  tomei coragem de fazer minha tatuagem.
Cheguei nessa minha lista no ponto onde estou hoje. Fim de semestre, um currículo amoroso até certo modo interessante, falta de dinheiro, em processo da recuperação da coragem, unhas azuis, uma rosa e Memento Mori marcados nas costas, óculos ray ban,  um fone tocando Biquini Cavadão no último volume.


* O ano não acabou. aguarde os próximos capítulos. Faltam 23 dias para eu me tornar um motor 1.9 ! :)




Minha outra metade.


Fábio Junior ia fazer um show em Aracaju, e  de uma coisa eu sabia, eu tinha que ir. Peguei dinheiro, roupa, sapato, tudo emprestado e fui rumo ao desconhecido para enfim encontrar o cara que cantava as músicas que embalavam a minha adolescência.
Como fiquei na pista, eu estava bem longe do palco, passei o show todo estática, observando de longe aquele cara lindo e tão apaixonante. 
Quando o fim do show se aproximou, ele começo a contar uma história : “ Acreditem em seus sonhos, é tudo que de mais valioso nós temos’, eu chorei muito, pensando em como era importante estar ali.
Quando ele começou a cantar “Felicidade”, percebi que era a minha chance.
Tirei a sandália, pulei a gradezinha que me separava dos camarotes e corri. Cheguei perto do palco, subi em uma cadeira e comecei a gritar: Fábio! Fábioo! Gritei tanto que ele segurou na minha mão. Neste instante percebi que eu existia.
Quando o show acabou, eu corri para o portão por onde sairia os carros, e em algum deles, o Fábio.
Começou a chover, e eu descalça, ansiosa, esperando ele passar. Depois de uns vinte minutos percebi que uma mulher gritou: “ Ele está ali”, um carro cinza saía da garagem.
Não pensei, corri atrás do carro. Bati com toda a minha força no vidro, quando ele abriu o vidro e segurou minha mão.
Não falei nada, não pedi foto, nem autografo, era o meu sonho realizado. Ficaria só na minha memória.
O carro foi embora. E eu fiquei. Na chuva, descalça, cabelo inchado, maquiagem borrada, mas com a incrível sensação de ter chegado perto do meu ídolo.



* Essa foto foi eu que tirei no instante em que ele cantava " Felicidade"
*Pauta para capricho:" O que você faria se esbarrasse com o famoso que mais ama?"

Basta nada

Viver é um momento. Contemplar.  Viver é um sopro. Lembro-me do primeiro contato com o morrer. Eu tinha cerca de cinco anos. De mãos...